"As palavras vão saindo assim.Eu não as escrevo, elas já são assim:escapulidas de mim..."

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

AVESSAS



                                                                             

Nem todo exposto se expõe
Nem todo oposto se opõe
Nem toda evidência é explícita
Nem toda verdade é lícita

Dentro de mim habita
Uma vontade maldita
Uma insistência que evita
Se expor ao que gravita
Numa verdade restrita

Nem tudo me oponho explícito
As vezes aposto no oposto
Minha verdade é o grito
De um aposto ao ilícito.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

RASCUNHOS





Escrevo
porque penso
mas não penso
quando escrevo

escrevo
ato contínuo
exercito irrestrito

repito, medito
me reedito:
valho o escrito

quarta-feira, 14 de março de 2012

MEU DIA


MEU DIA

Os versos da fonte

jorram infinitos, mas

não matam a minha sede

de poetisar.


Chegou o meu dia:

hoje em poesia

tudo vou transformar.


*Publicado no livro Inverno e outros poemas

quinta-feira, 8 de março de 2012

FLOR MULHER


FLOR MULHER
Não és o que achas
nem o que pensas que és
algo aí dentro carregas
não refletido em teus espelhos

Diferes do universo
do solidificante espaço
que envolve com leveza
tua natureza interior

És o verdadeiro ser
despetalada essência
do que se quer

saber ser
em flor...

...flor mulher


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012


CONCRETO

Direto e reto

terra areia

cimento

complemento

parede pulsante

coração concreto.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012


VONTADES

Vontade de ler uma poesia “daquelas”
que sacodem o cotidiano,
que trilham sonoridades
aos meus silêncios...

Vontade de ler uma poesia “daquelas”
que alimentam os meus sonhos e (quase sempre)
me fazem chorar...

Vontade de ler uma poesia “daquelas”
que arrebatam as ansiedades
de um (meu) coração “daqueles”...

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011


E AGORA?

Quando

eu tinha você

resmungava.


Você se foi

resmunguei.

E agora?


Resmungo

da “boca prá fora”.


*Releitura de Resmungação publicada no livro Inverno e outros poemas.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011


BLUES

Arrisco meu canto:

recito Bucowsky

para o azul dos seus olhos.


Entretanto seu espanto

é bem maior

do que qualquer encanto.


Saio de fininho

(por enquanto)...

quinta-feira, 10 de novembro de 2011


Sacode


Os gemidos

no balanço da cadeira

sonoros impensados

destravados desenfreados

e um susto :

o amor sacode saltitante...

segunda-feira, 7 de novembro de 2011


PRIMA VERA 2011

No sexo “à vera”

o tesão prima

e o amor... espera

quarta-feira, 12 de outubro de 2011


SER CRIANÇA*

Em meio a vida que avança
entre o nascer e crescer
uma invisível esperança:

saber adulto viver
sem deixar de criança
ser...



*A todos os meus verdadeiros amigos crianças ontem, hoje e sempre...

domingo, 9 de outubro de 2011


CALOR*

Se me sinto só

sem estar em ti

sou calor em mim.


A sós confesso:

sem ti sol assim...


sexta-feira, 7 de outubro de 2011


RAPIDINHA

Ela surgiu

em meio

ao nada

danada assim...


E como veio

partiu safada

saciada

de mim...

segunda-feira, 19 de setembro de 2011


CASADA*

O amor envolto

em lençóis alheios.

Parcos porém

fortes momentos.


O tesão revolto

em pelos e seios.

Fartos além

tesos sentimentos.


O ato louco

por instantes

durou muito...

...muito pouco.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011


DESCONEXO

O sexo

sem nexo

não anexa.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011


CONTRA MÃO


De repente

o inesperado:

nós

com tantos desencontros

ao redor.


Elos

de um destino:

imã,

viagens afins.


Desatados

alteramos rumos,

predestinamos

sentimentos racionais;


nos amamos de costas

um para o outro.

Vez por outra

choro quando lembro.


(Ou lembro

quando choro?)

domingo, 21 de agosto de 2011


STRIP TEASE


Meu palco

é pique

sem baque.


Meu dia

é noite

sem retoque.


Minha sina

é vício

sem rotina.


Meu ganho

é lanho:

apelo à pele.


Meu corpo

é teso:

stripo ileso...



*Publicado no livro A Mentecapta


quinta-feira, 18 de agosto de 2011


OUTRORAS


Palhaços saltitantes

crianças sem sono

uma sombra vagueia pelo meu passado...


Um clima feliz e acolhedor

atravessa os tempos de infância

e adolesce sob os olhos em estrelas

cadentes em dúvida sobre um amanhã de luar.

A lua adormecida faz a noite mudar de cor.


Adultos paralisados

amanhecem mal dormidos

uma sombra vagueia pelo meu passado...

quarta-feira, 10 de agosto de 2011


VINGATIVA*


No reverso da revolta

à espera pelo dia

do outro lado da face.

A cabeça gira

e na face do reverso

sombria esfria

uma embutida bofetada.


*Publicado no livro A Mentecapta

segunda-feira, 25 de julho de 2011


DESATANDO*


Entrelaçados

espaços

desgovernados

destinos


e na interface

de tais laços

o desenlace:

desatinos...


(Para Karen)

*Publicado no Recanto das Letras

terça-feira, 19 de julho de 2011


ANALÍTICA*

para Monique

E a lágrima cai
na lembrança que fica
da paixão que se vai
e nem Freud explica.


*Publicado no livro Inverno e outros poemas

segunda-feira, 11 de julho de 2011


FECHADURA

Pelo buraco
garrafas vazias.

No olho aberto
luz
no fechado
azias...

segunda-feira, 27 de junho de 2011


CLASSE MÉDIA*

Sobrou pão de ontem
porque anteontem
não se comeu pão.

Amanhã
talvez morramos
de fome.

E o que é do homem
será que o bicho
(homem)
não come?


*Publicado no livro Inverno e outros poemas

segunda-feira, 20 de junho de 2011


POEMINHA INACABADO*

Esse poema
morrerá inacabado
já nasceu equivocado
e eu já perdi a paciência.

Por mais que eu lute
contra tal incompetência
não consigo escrever nada

nem uma rimazinha forçada
tipo aquelas rimadas no chute.
*Publicado no Recanto das Letras

terça-feira, 17 de maio de 2011


EXISTÊNCIA*

Despenco em mim:
infindável precipício.
Um eco outrora excitante
rebate berrante
e vai embora.
Sou agora, gora, ora...

Ser
mesmo sem crer:
vive-se sem perceber.
Não insisto
nem desisto:
existo.


*Publicado no livro Inverno e outros poemas

segunda-feira, 2 de maio de 2011


AFTER HOURS


No fim da escuridão

a luz lacrimejante

insegura, oscilante

incerta de emoção.


Teu sorriso ensaiado

em minha direção

premeditado:

breu e ilusão .


Sonhos e “outroras”:

agora és passado

meu pranto enxugado

fez andar as horas...

sexta-feira, 22 de abril de 2011


SIM OU NÃO?*


Eu disse que sim prá você

você disse não para mim

e nem me explicou o porque

de eu não merecer o seu sim.


Eu disse que sim no altar

segurando a sua mão

que não disse sim ao deitar

na hora do amor disse não.


No dia da separação

tentei dizer não até o fim

o não que era um sim à ilusão

que um dia me fez dizer sim.


Até hoje digo sim

mesmo devendo dizer não

um não que é o inverso de um sim

que é sim pelo sim, pelo não.


*Publicado no livro Inverno e outros poemas

segunda-feira, 11 de abril de 2011


DESTINO

Caminho entre limites
a certeza e o talvez
o quando e o por que
uma pedra rolando
na ladeira do meu ser
a eterna jornada
uma vida inteira:

a caminhada
que nunca termina...



quarta-feira, 23 de março de 2011


ESQUISITO*

Hoje acordei esquisito,

meio triste,desolado,

um tanto enjoado e sofrido

lacrimejante e chorado

por mais um sonho perdido.


Hoje acordei esquisito,

não consegui enfrentar

esse meu sono iludido

que ainda insiste em sonhar

com um amor mal dormido.



quinta-feira, 17 de março de 2011


CORPO*


Com tatos
em trêmulas mãos
a pele.
Nua procura:
princípio,meio e fim.

Sensitivo
o prazer implícito
nos bastidores carnais.
Desabafo,suor,orgasmo:
líquido e certo.


*Publicado no livro A Mentecapta

sábado, 5 de março de 2011


CINZAS*

Os véus e as cortinas
misturam-se as fantasias
tremulantes em clima
de um amor "ventado"
sábado.

"Ator mentado"
em pleno Carnaval
sem bloco,sem cordão
"assim zentado"
como quarta-feira...


*Publicado no Recanto das Letras

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011


RECONHECIMENTO

Em nenhum momento

questiono a razão

do meu pior pensamento

pois lá no fundo,

no íntimo do meu lamento,

eu sei que às vezes

nem eu mesmo me aguento...

*Publicado no livro A Mentecapta

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011


Príncipe

Encantado

é o amor a cavalo...

*Publicado no livro A Mentecapta

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

BRUXAS*



Até onde me permito
confio no que elas
a mim transmitem

minhas magias
e mágicas certezas
em dúvidas persistem

visto que nelas
nem de longe eu acredito.

Fica o dito pelo não dito
mas que elas existem, existem...


*Publicado no Recanto das Letras

domingo, 30 de janeiro de 2011


CALEIDOSCÓPIO*

Acesos
entre nós
iluminados
fachos
dissonantes

luzes
incertas
resultados
de vidas
mutantes

brilham
intercalados
escuros
e claros
instantes.

*Publicado no Recanto das Letras

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

FUMAÇA


Esquentou
a cabeça
e foi
esfriá-la:

nas nuvens.


*Publicado no livro Inverno e outros poemas

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

DAY AFTER*


Ventava

e iluminava:

raios de sol destronavam

os últimos lúdicos soluços

de uma noite (como sempre)

longa e dolente.


Da janela entreabriam-se

paisagens mal dormidas:

sonhos e cheiros,

marolar e maresia.


Pesadelos com azia,

ecos e um súbito momento

de amnésia

martelavam a minha cabeça.


Ah

que cabeça a minha!

(Se é que era mesmo

a minha.)


*Publicado no livro A Mentecapta

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

SINTAXE*


A palavra
assalta minha alma
sem compaixão:

uma única andorinha
faz meu verão
.

*Publicado na coletânea Poéticas Mentes e Recanto das Letras

sábado, 20 de novembro de 2010

SEDUÇÃO


(para Twister)

Os olhares delatam o desejo

nem sempre possível

de ser satisfeito.

Ainda assim

inevitável é a tentação.


Nenhuma palavra

traduziria tal momento

posto que tesudo

era o silêncio vibrante

daqueles mudos gestos.


Tento dizer que vontade

(ela insiste que pode voltar)

é coisa que dá e passa.


O (eu) caçador nem sonhava

ser ele àquela altura

a própria caça.


segunda-feira, 25 de outubro de 2010

PALCO


Descortinado
em meio
àquela euforia

entregou-se
de corpo e alma
à nostalgia.

O que sentia
não era
o que se via.

A plateia
de pé
o aplaudia.

E daí?
Sequer ouvia...

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

A CONSCIÊNCIA DO VOTO

Premeditado no hoje,

conscientizado no amanhã.

Uma chance, um resgate,

uma ilusão desigual.

Serenidade no embate:

FARSA SOCIAL

X

ÉTICA CIDADÃ